Mariquices da Nespresso.


Então coiso e tal e um bem-haja!

Bem sei que incluir o nome de uma marca comercial no título de uma publicação pode ser interpretado quase como um ato de prostituição.  Ou não… porque as prostitutas recebem pelo trabalho que fazem, e eu nem um cafezinho vou ganhar com isto. CONTUDO… se a marca me quiser oferecer umas caixas não me farei difícil, embora depois do que vão ler, será com toda a certeza improvável. 

Há algumas tarefas que queremos que nos façam com requinte. Que nos apapariquem, que nos deem graxa e nos tratem bem. Se formos a um restaurante, com certeza preferimos ser bem atendidos, com calma e paciência, ao invés de nos vomitarem com desdém a ementa, e nos esbofetearem quando não escolhemos o prato do dia. Há outras em que preferimos um serviço rápido e eficaz sem grandes mariquices. Para mim, e só posso falar por mim claro está, comprar café é uma dessas atividades que quero que não me faça perder muito tempo, o que é completamente impossível numa loja Nespresso.

Assim que chegamos somos encaminhados para um cordão de segurança. Esperem, eu vou repetir: Um…Cordão….De….Segurança. Numa loja de café! Depois desse passo importantíssimo ficamos a uma DISTÂNCIA….DE…SEGURANÇA….  do cliente que está à nossa frente. Sim! Porque é preciso uma distância de segurança maior do que aquela dada nos bancos, ou mesmo no aeroporto! Saber que o cliente que está à minha frente bebe Ristretto ao invés de Arpeggio é, como devem calcular uma informação que não pode cair nas mãos erradas! Imaginem o que se poderia fazer com tal informação! Números de contas? Dinheiro transferido? Isso não interessa para nada pá!!! Andam a dormir ou quê?! Não há nada como saber que café bebem para podermos chantagear ou assaltar uma pessoa. “Ah ele bebe Lungo?...  Já estás! JÁ ESTÁS!!! JÁ FOSTES!!! MUAHAHAH! Eu próprio pensei em escrever “2 caixas de Roma”, e entregar ao vendedor, tal não era constrangimento que tinha. Já vi menos embaraço a pedir Viagra numa Farmácia.

Eis que chega a nossa vez! Sinto que não estou a comprar café, tal não é pompa e circunstância que obrigam os empregados a ter para com os clientes. Ainda olho confuso em todas as direções.: “Tu queres ver que não tomaste os medicamentos e vieste parar a uma loja de diamantes? Ou outra vez ao Stand da Ferrari? Ter-te-ás enganado na porta, e em vez de entrares no Hipopótamo, entraste outra vez no stand da Lamborghini?”, pensei eu. Nop! Era mesmo uma loja de café. Os funcionários falavam como se estivessem a receber realeza. Muito boa tarde, como estão? O que posso fazer para vos auxiliar?”. “Eu quero café” … disse eu. Mas tanta pompa e circunstância levaram-me a pensar que não podia pedir café aqui assim sem mais nem menos… Talvez as palavras certas fossem: “Saudações. Sou D. Homem de Motoserra, e venho a este muy nobre estabelecimento com o intuito de adquirir, com a sua permissão, aquela bebida quente e negra como a tempestade, que colheu bravos portugueses enquanto estes desbravam mares nunca dantes navegados com o único objectivo de trazer glória para Portugal e para os Portugueses. Uma iguaria com aroma forte para me apaziguar as amarguras a que estamos sujeitos na nossa débil sociedade, enquanto esperamos que o Virtuoso El Rey D. Sebastião nos encaminhe novamente para tempos mais dignos para as nossas gentes.”

Mas mesmo tendo feito o pedido de uma forma quase troglodita em comparação com o discurso do vendedor, ele percebeu o que queria e respondeu de uma forma erudita: “Com certeza meu senhor, que tipo de sabor pretende? Aceitaria algumas humildes sugestões da minha parte, para que possa usufruir em pleno da experiência dos nossos produtos”? Mas não ficou por aqui: “Pretende degustar de um café? Poderei interessá-lo num novo aroma que temos ao nosso dispor? Poderei ajudá-lo em mais alguma questão?” AHHHHHHHHHH!!! Eu quero café!!! Será assim tão difícil de perceber?? Quero duas caixas roxas, três amarelas, quatro laranjas! Assim é que devia ser! Eu não tenho de saber o nome em italiano do café que bebo! Sei que bebo do roxo, e do amarelo e do vermelho. Feito! Venha! 
Toda aquela mariquice provocou-me náuseas e deu-me vontade de passar os balcões, agarrar as caixas que estão na parede por detrás dos empregados, e sair a correr. O que era o pior que me podia acontecer? O segurança apanhar-me? E depois? Com certeza Dir-me-ia algo como: “Peço imensa desculpa caro senhor, mas vejo-me forçado a sová-lo. Ora com a sua licença vou atingi-lo nas costelas. Peço imensa desculpa, mas agora vou-lhe pontapear os genitais. Agora irei proceder à torção do seu braço e arrastá-lo até um corredor privado, onde eu e colegas meus iremos proceder ao resto da sessão de pancadaria propriamente dita. Lamento imenso qualquer inconveniente que isso lhe possa causar, principalmente em termos de horários.” 
"Ora essa!" Responderia eu "Peço-vos só uma ligeira atenção, se não for incómodo claro está, de me deixarem a dentição intacta. Afinal de contas, não é barato ir ao Dentista."

Portanto, voltar lá? Acho que não. Só se precisar se uma desculpa para me auto flagelar. Mudar de marca de café? Agora já tenho a máquina. Que se f%d@! 

Despeço-me enquanto “degusto” um “Arpeggio”, ou como raio é que esta merda se chama.

O Homem da Motoserra.


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